A Austrália vai entregar a Fiji suas próprias embarcações de superfície não tripuladas Bluebottle, com a primeira prevista para chegar no início de 2027, anunciou o governo em Sydney em 16 de outubro de 2026. O ministro da Indústria de Defesa, Pat Conroy, disse que a Marinha Real Australiana já opera 15 desses drones marítimos de fabricação australiana e está recebendo mais 40, segundo a transcrição de sua coletiva de imprensa.
As embarcações para Fiji serão ativos soberanos fijianos, disse Conroy, e caberá a Fiji decidir se serão operadas por sua marinha ou por sua polícia. Ele não quis dizer quantas Fiji receberá.
Um presente sob uma nova aliança
Os Bluebottles estão sendo fornecidos no âmbito da parceria Waqa Moana, uma iniciativa liderada pelo Pacífico contra o crime organizado e o tráfico de drogas, e são um desdobramento do Tratado Oceano de Paz que Austrália e Fiji assinaram em julho, noticiou a Australian Associated Press. O tratado é a quarta aliança de defesa mútua da Austrália, depois das firmadas com Estados Unidos, Nova Zelândia e Papua-Nova Guiné, e a primeira de Fiji. A Austrália prometeu A$ 600 milhões no Fórum das Ilhas do Pacífico, em setembro, para ajudar a implementar o Waqa Moana.
As 40 embarcações adicionais da marinha não são novidade: o governo assinou em março um acordo de A$ 176 milhões para comprá-las, o que levará a frota da marinha a 55 unidades. O anúncio coincidiu com a inauguração de um novo polo de fabricação em Sydney da Ocius, a empresa que as constrói. "Esta parceria em torno do Bluebottle demonstra como a inovação australiana pode produzir resultados no mundo real", disse o ministro da Defesa, Richard Marles.
O que faz um Bluebottle
Um Bluebottle é uma pequena embarcação movida a vela e energia solar que pode permanecer no mar por mais de 180 dias sem tripulação, carregando sensores de inteligência, vigilância e reconhecimento. Conroy vinculou as embarcações de Fiji à proteção de fronteiras e à interrupção de remessas de drogas pelo sudoeste do Pacífico, onde pequenos Estados insulares policiam zonas econômicas exclusivas enormes com um punhado de barcos de patrulha.
O comandante da Marinha, vice-almirante Matt Buckley, disse que as embarcações podem ser transportadas por aeronave ou navio e permanecer em posição por longos períodos; Conroy descreveu sensores capazes de detectar tanto embarcações de superfície quanto submarinos. A marinha tem usado seus próprios Bluebottles a partir da HMAS Coonawarra, em Darwin, para a segurança de fronteiras.
Para Fiji, o ganho prático é a vigilância persistente sobre as rotas marítimas que os traficantes usam entre a América do Sul e a Austrália, sem os custos de combustível e tripulação de uma patrulha convencional. Para a Austrália, é uma primeira entrega visível sob um tratado assinado apenas três meses antes.
Os números que ainda faltam são o tamanho da cota de Fiji, o cronograma de entrega das 40 unidades da marinha e os arranjos de apoio que manterão as embarcações no mar. Como um anúncio de venda de armas não é uma entrega, a prova deste será o primeiro Bluebottle operando a partir de um porto fijiano em 2027.